… lendo livros de terror.

O escritor e amigo Santiago Nazarian perguntou no Facebook quais os melhores livros de terror que seus amigos e seguidores já tinham lido. Nazarian, assim como eu, tem interesse no assunto, gosta também de filmes de terror, interagiu em uma postagem minha no Face  sobre filmes do gênero, e fiquei pensando nesses livros perturbadores. Ah, sim, Nazarian escreve livros fantásticos e é autor de um ótimo livro de terror, o Biofobia, que recomendo.

Quando eu tinha uns 14 anos, frequentava muito a biblioteca pública de Americana. Isso foi entre 1984, não tinha videocassete ou TV a cabo (apenas 3 ou 4 canais de TV aberta) e, claro, nada de internet. Americana ainda tinha dois cinemas (hoje não tem nenhum) e nós ficávamos ligados na programação, torcendo para que passassem filmes interessantes entre um ou outro filme dos Trapalhões. As parcas informações que nos chegavam vinham através de jornais e das conversas com o pessoal mais velho e assim nasciam lendas envolvendo filmes – e livros.

Falavam sobre “O Exorcista”, filme e livro malditos, sobre como pessoas passavam mal no cinema ou até mesmo ao ler as páginas do romance. Fiquei intrigado e retirei o livro na biblioteca e li antes de ver o filme – e foi realmente assustador. Movido um pouco pelas histórias, passei dias meio estranhos lendo o livro, sugestionado: senti minha cama levitar e tremer, ficava arrepiado ao entrar na igreja (na época, eu era coroinha) e senti um alívio tremendo quando terminei a leitura, em poucos dias, e devolvi o livro.

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Eu já gostava de histórias de terror, lia gibis nacionais de terror, via filmes na TV, adorava, em especial, a série “Kolchak e os demônios da noite”, que, fiquei sabendo depois, era a série preferida de Chris Carter, o criador do Arquivo X. Mas nada tinha sido como aquele “O Exorcista”.

Coincidentemente, logo depois que li o livro, teve uma única exibição (pelo que me lembro) do filme na cidade – era uma cópia de aniversário de 10 anos do filme de William Friedkin. A censura era de 18 anos, mas eu consegui entrar com minha namoradinha, e foi uma experiência realmente chocante.

Veja: uma coisa é você ver “O Exorcista” hoje, na TV ou no BluRay, depois de ter visto trocentos filmes de terror e com 20 ou 30 anos nesses 2017. Outra coisa é você ver “O Exorcista” em 1984 ou 1985, com 15 anos, no cinema, com a namoradinha.

Ela também gostava, e entramos numas de ler livros de terror, um lia e indicava para o outro e foi assim que li os três livros de “A Profecia” – cada um escrito por um autor diferente, já que cada um deles morria imediatamente após ter escrito cada livro (era o que dizia a lenda). E lemos outros livros B, coleções de mistério, Edgar Allan Poe, depois Agatha Christie, e caímos, inevitavelmente, nos livros esotéricos de Carlos Castaneda e Lobsang Rampa, que faziam sucesso na época. Viajei e perdi muito tempo com eles.

AS_POSSUIDAS_1239490524BUm desses livros, lido ao acaso, me marcou: o “As Possuídas” – que foi publicado também como “As Esposas de Stepford” e, atualmente, como “Mulheres Perfeitas” -, de Ira Levin. Levin escreveu “O Bebê de Rosemary”, que não li, vi só o assustador filme do Polanski, um tempo depois, no início da explosão do videocassete, que afastou a gente um pouco da biblioteca. Mas o “Mulheres Perfeitas” foi uma experiência marcante para mim. Li também o “Meninos do Brasil” dele e gostei – o filme é marromenos.

O filme que vi em vídeo e me aterrorizou como nenhum outro antes – acho que nem mesmo “O Exorcista” – foi “O Iluminado”; e aí fui atrás do romance do Stephen King que li devagar e com muito prazer. Era diferente do filme, uma outra experiência. Não me lembro de ter ficado tão chocado ou aterrorizado; era como se tivesse sido transportado para outro universo, aquele do Hotel Overlook.

À época, não me interessava pelos chamados clássicos; já tinha visto muitos filmes com vampiros e frankensteins na televisão, aqueles filmes da Hammer, não achava que os livros pudessem ser bons ou assustadores… Mas um tempo depois achei que valia a pena tentar, e li, de uma só vez, os romances do Bram Stoker e da Mary Shelley e, uau, percebi que não era nada daquilo que tinha visto nas telas. Depois li também “O Médico e o Monstro” do Stevenson e adorei – se tornou um dos meus livros preferidos.

Dois filmes de terror me levaram, então, para dois livros que entraram em minha lista de preferidos de todos os tempos: “Coração Satânico”, de William Hjortsberg, e “O Silêncio dos Inocentes”, do Thomas Harris.

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Fiquei obcecado com o “Coração Satânico”, assisti dezenas de vezes, e o livro é ainda melhor – e bem diferente. Escrevi sobre ele aqui. Pena que o Hjortsberg não escreveu mais nada à altura, tudo o que li dele depois é chato. O livro está sendo relançado no Brasil pela Darkside. Diferente do Harris: “Dragão Vermelho” é ainda melhor que “O Silêncio dos Inocentes” – e o filme do Michael Mann (Manhunter, aqui “Caçador de Assassinos”, 1986, primeira adaptação de Harris para o cinema), é sensacional; e “Hannibal” é igualmente ótimo, mais violento que os outros dois – e também gosto do filme do Ridley Scott.

(Aliás, por onde anda Thomas Harris?)

Por essa época, final dos anos 1990, comecei a escrever e fui ler livros de meus contemporâneos, me interessei por livros policiais e pors Joseph Campbell, e deixei de lado a literatura de terror, focando mais nos filmes. Li “As Ruínas”, de Scott Smith”, e depois vi o filme – que gosto muito – e o incluo nesta lista para completar os 10.

Recentemente, li e ajudei na publicação deste pequeno livro de contos da amiga Verena Cavalcante (Bruna Oliveira Gonçalves), “Larva” (Editora Oitoemeio) – e considero uma das coisas mais aterrorizantes que já encontrei. São narrativas de crianças sobre coisas reais que elas vivem e veem e entendo que a autora conseguiu algo novo, inusitado e diferente na literatura de terror. Coloco na lista como “livro bônus” por ser um livro de contos e a lista é de romances.

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Taí:

  • 1 – O Exorcista – William Peter Blatty
  • 2 – A Profecia – David Seltzer
  • 3 – Mulheres Perfeitas – Ira Levin
  • 4 – O Iluminado – Stephen King
  • 5 – Drácula – Bram Stoker
  • 6 – Frankenstein – Mary Shelley
  • 7 – O Médico e o Monstro – R. L. Stevenson
  • 8 – Coração Satânico – William Hjortsberg
  • 9 – Dragão Vermelho – Thomas Harris
  • 10 – As Ruínas – Scott Smith
  • 11 – Larva – Verena Cavalcante

🙂

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2 thoughts on “… lendo livros de terror.

  1. Cal says:

    Muito bom, vc é um fissurado como eu. Só que vc é melhor, tem vários blogs. Eu não tenho nenhum, mas um dia dou as caras. É muita coisa, não dá tempo. Vc colocaria Efeito borboleta I e II como de terror? E Kill Bill I e II? Beijo, mais sucesso.

    • biajoni says:

      hmmm, não sei, acho que não colocaria esses filmes como “terror” 🙂 penso em terror como filmes com “elementos malvados gritantes”, como seres espaciais do mal, vampiros, monstros, canibais, demônios encarnados ou não, lugares assombrados e quetais 😉

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