… corrupção e empreiteiras

No período da ditadura, os militares diziam que combatiam a grande corrupção que carcomia o país pelas pernas desenvolvimentistas. Não é verdade. Aqui tem um texto sobre isso: http://www.ocafezinho.com/2014/03/10/a-ditadura-foi-o-regime-mais-corrupto-da-historia/

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É bem verdade que apesar do caso Coroa-Brastel (http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2015/04/01/conheca-dez-historias-de-corrupcao-durante-a-ditadura-militar.htm), o governo Figueiredo parece ter recrudescido contra a corrupção, fazendo-a recuar um pouco. O Brasil estava em um bom caminho com a abertura política surgindo e tudo seria diferente se Tancredo Neves não tivesse morrido e não tivéssemos como presidente um tal Sarney, desconhecido em boa parte do país, amigo de ACM. Imagine os níveis de corrupção que o país bateu nesse governo. Os níveis de desemprego e inflação, quem viveu no período se lembra.

Tínhamos a chance de mudar, mas elegemos Collor. Eu não, que não votei nele. Mas o alagoano novão e maluco representava alguma esperança. E qual foi sua maior herança? O enriquecimento desenfreado das empreiteiras a partir de contratações milionárias com o governo onde a corrupção corria solta.

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O operador de tudo isso era PC Farias. Conta o livro “Todos os sócios do Presidente” que a Construtora Norberto Odebrecht foi a principal cliente da empresa de consultoria de PC para contratos com o governo. “Entre agosto e outubro de 1990, a empreiteira pagou à empresa de PC 3,2 milhões de dólares, oficialmente, em troca de conselhos sobre áreas em que poderia expandir seus negócios. No mesmo período, a empresa venceu várias concorrências públicas, com destaque para a construção de uma plataforma submarina para a Petrobrás na bacia de Campos. PC havia conhecido Emilio Odebrecht, proprietário da construtora, em uma das muitas reuniões setoriais da campanha presidencial, ocasiões em que ele renovava no empresariado o temor do fantasma da socialização do país, que representaria a vitória de Lula.

A EPC (empresa de PC) parecia ser uma empresa de consultoria extremamente popular entre as grandes empreiteiras, a quem servia com inusitada frequência. Seu segundo maior cliente em 1990 foi a empreiteira Andrade Gutierrez, concorrente da Odebrecht na disputa por verbas públicas. A Andrade Gutierrez despejou 1,7 milhão de dólares na conta bancária da EPC entre junho e setembro de 1990, alegadamente por serviços de ‘consultoria econômica e fiscal’. Por mais uma dessas incríveis coincidências, na época tornou-se o único credor a receber pagamentos da Eletrobrás. Embolsou a bagatela de 40 milhões de dólares, comprovando que, se os conselhos de PC não eram muito úteis, ele pelo menos dava sorte às empresas que o contratavam”

Tem outras histórias do tipo no livro. Uma delas conta como Collor decolou para a política depois de conselhos do grande amigo Renan Calheiros. Outra, como empresas que contratavam a EPC – em especial usineiros alagoanos – tinham suas dívidas com o governo, a Caixa Econômica Federal ou com o Banco do Brasil simples e misteriosamente canceladas.

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Em maio de 1990 teve início o projeto SOS Rodovias, operado por PC, que teve contratações de empreiteiras sem licitações no valor de 500 milhões de dólares. Foi o primeiro escândalo do governo Collor, que recuou. Neste período, em Belo Horizonte, houve uma reunião para discutirem se todo o esquema de corrupção que operavam não podia ser feito através de… agências de propaganda. Meia dúzia de agências entraram no esquema, entre elas a HCA, liga ao então ministro da Saúde Alceni Guerra.

Em 1991, o jornal Folha de São Paulo denunciou o esquema das agências e Collor cortou todo tipo de propaganda oficial no jornal e processou Otávio Frias Filho e os jornalistas que redigiram a matéria. Ecos do militarismo. Os jornalistas foram absolvidos no final do ano e o esquema das agências foi considerado ilegal pela Procuradoria Geral da República. Apesar disso, nenhum contrato foi anulado. O governo abriu então concorrência para agências de publicidade e – surpresa! – as quatro maiores agências de Belo Horizonte, as mesmas que operavam o esquema, venceram e levaram as campanhas milionárias.

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Era muito, muito, muito dinheiro movimentado por PC Farias e amigos no governo – e o presidente, claro, devia saber de tudo. Então foi dado o próximo passo: maneiras de levar esse dinheiro para fora do País.

Parece que, desde então e daquele impeachment, nada mudou.

Recomendo a leitura de “Todos os sócios do presidente” de Gustavo Krieger, Luiz Antonio Novaes e Tales Faria. Em especial para quem acha que o PT inventou os esquemas de corrupção no País envolvendo empreiteiras e agências de propaganda.

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