filmes vistos na convalescença do melanoma – primeira semana

Do Oscar:

Vi Perdido em Marte, sessão da tarde, mas que está na mesma categoria de O Regresso e Mad Max: são experiências cinéticas-estéticas, o auge das possibilidades do atual cinema de sensações. Os três filmes formam um bloco oposto ao outro no Oscar, composto por Ponte de Espiões, Spotlight, O Quarto de Jack, A Grande Aposta e Brooklyn (ainda não vi esses três últimos), exemplares do cinema clássico. Gostei bastante de Spotlight, um filme que devia ser mais divulgado, deviam dar um nome apelativo pra ele no Brasil, tipo “O Padres Pedófilos de Boston”, isso seria bom. Vi na convalescença, junto com Steve Jobs. Tanto Spotlight como Jobs fazem parte daquele tipo de filme de interiores, com ótimos diálogos e montagem. Spotlight acaba com a Igreja Católica, Jobs acaba com a Apple e com a figura mítica de seu chairman.

Também do Oscar, vi Carol e A Garota Dinamarquesa, dois bons filmes no estilo clássico, com bons roteiros e conjunto, que tratam da questão de gênero. Gostei dos dois e acho que também deviam ter títulos mais chamativos. Tou com esse negócio de título chamativo na cabeça.

Vi Sicario que me deixou irritado por um detalhe: cumé que aqueles PUTAS carros do governo naquela missão especial no México não eram BLINDADOS?

Vi também Trumbo, que me pareceu um recorte rápido da vida do roteirista comunista, mas achei bom até mesmo por isso, por ser um filme curto e que vai ao ponto.

Assim, nos últimos sete dias, vi oito filmes do Oscar.

Sem ser do Oscar, mas novos:

Vi A Vênus das Peles do Polanski, gostei demais, vi no mesmo dia do Garota Dinamarquesa, então fiz uma anotação mental de jamais experimentar uma roupa ou sapatos da Karen, nem por brincadeira.
;>)

Gostei também de The Cat´s Meow, do Bogdanovich, que conta essa história interessante do assassinato do produtor Thomas Ince pelo magnata Randolph Hearst. Ótima reconstituição de época, ótimos atores, trilha, fotografia… reclamaram demais desse bom filme, gostei.

Mais velhos:

Interessado em filmes de horror camp dos anos 70, vi os bons And Soon the Darkness (dirigido pelo Fuest, do meu adorado Dr. Phibes, esse And Soon é um filme de baixo orçamento, com meia dúzia de atores desconhecidos e duas ou três locações, uma aula de cinema puro), e The Blood of Satan´s Claw, um semi-clássico que se passa no século XVII – bem assustador.

Interessado em filmes que se passam no século XVII, terminei de ver checo O Martelo das Bruxas, um estudo sobre O PODER, usando como exemplo os júris da “santa” Inquisição. Devia passar nas escolas, nesses tempos de Operação Lava Jato.

Estava na fila há tempos para assistir o A Noiva estava de Preto, a homenagem que Truffaut fez a Hitchcock e que Tarantino homenageou em Kill Bill. Ótimo film noir, mas achei Jeanne Moreau meio deslocada e um tanto envelhecida. Desculpem.

Também vi Non ci Resta Che Piangere, o filme que Massimo Troisi e Roberto Benigni fizeram juntos, quase todo na base da improvisação com piadas italianas e muito exagero – como convém. É um filme cultuado, com um final em aberto, eles queriam fazer outro depois, mas acabou não rolando e Troisi morreu, logo depois de completar O Carteiro e o Poeta.

Em doses homeopáticas, estou vendo o estranho Dom Quixote de Orson Welles, já que estou lendo a versão integral do romance de Cervantes.

Assim, em sete dias em casa com a perna para o alto vi 15 filmes, sem contar alguns capítulos do novo Arquivo X e O Agente da Uncle e Esquadrão Classe A, que vimos por diversão de novo.
:>)

Dom Quixote Welles

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