meus melhores livros de 2015

Tenho visto listas com os melhores livros nacionais de 2015 e devo confessar que não li a maioria – o que devo fazer em breve, já que me interessa a produção dos meus contemporâneos. Mas também digo que li alguns que aparecem nessas listas e que me decepcionaram. Dos que li, quero destacar dois autores que fizeram suas estreias na ficção e que são do interior do estado de SP: o primeiro é “A imensidão íntima dos Carneiros”, romance de Marcelo Maluf, barbarense que vive em São Paulo, e que foi indicado ao prêmio APCA. De tom intimista, Maluf investiga a história de sua família de imigrantes libaneses através do medo. O outro é “Larva”, de Verena Cavalcante, que vive em Limeira, livro de contos de horror narrados por crianças. Verena tem a capacidade de criar um gênero literário nessa sua estreia, com seus narradores ingênuos e claudicantes, contando histórias aparentemente simples, mas cheias de suspense e pavor. Recomendo muito ambos.

Também muito bom e original é a narrativa “Terno de Reis”, de Daniel Brazil. À primeira vista, parece um romance histórico, onde o autor pretende contar a saga de um jovem nascido em Amparo (SP) que pretende se dar bem na  capital, em meados dos anos 60. O tom regional é substituído pelo tom urbano e, na sequência, pelo fantástico. Mudando de tom, mas mantendo incrível coerência narrativa, Brazil conta boa parte da história do país nos últimos 50 anos. Escrevi brevemente sobre ele aqui: http://panoramaliterario.com.br/resenha-terno-de-reis-de-daniel-brazil-por-luiz-biajoni/

Creio, porém, que o livro que mais me impressionou neste ano foi o “Fernando Pessoa – O Cavaleiro de Nada”, da Elisa Lucinda. Ele foi lançado no final de 2014, mas parece que ainda não foi descoberto pelos leitores. Lucinda faz nada menos que uma “autobiografia de Fernando Pessoa”. Isso mesmo: ela conta, na primeira pessoa, a vida do grande poeta português. Ousado, substancioso, divertido, amargo, o livro tem tudo o que se espera de uma grande obra.

Também tendo um poeta como tema, Lucia Bettencourt publicou “O Regresso – A última viagem de Rimbaud”, ótimo lançamento de 2015, em que também assume a voz do poeta. Mas tem outro tom, mais lírico e contido. Não é leitura para todos, mas considero um dos melhores livros não só do ano, mas dos últimos tempos escrito por um autor nacional.

Para finalizar, alguns livros que me deram grande diversão: “Eu, Cowboy”, de Caco Ishak; “A Pedido do Embaixador”, de Fernando Perdigão; “Que fim levou Juliana Klein”, de Marcos Peres; “Biofobia”, de Santiago Nazarian e “Carne de Canhão”, de Agustín Arosteguy.

Com esses, fecho 10 livros nacionais que recomendo, sem esquecer a transcriação de Alex Castro para o clássico cubano “A Autobiografia do Poeta-Escravo Juan Francisco Manzano”, uma das mais importantes publicações do ano no Brasil.

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One thought on “meus melhores livros de 2015

  1. Pingback: cowboy por biajoni | ciao cretini

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