… tem dias

[texto escrito em Agosto de 2004]

Tem dias em que a gente acorda e parece que acabou de nascer.

Tem dias em que a gente abre os olhos e sente uma estranha integridade física, uma disposição absurda – e ao mesmo tempo uma paz incrível. Parece que todos os problemas se foram. Parece que a conta não está estourada no banco. Parece que todos os políticos morreram e uma nova ordem mundial se anuncia. Parece que o pão com manteiga lhe sorri.

Tem manhãs em que o sol está tão morno e o silêncio da rua é tão pacificador que nem parece que existem filhos-da-puta no mundo! E as mulheres parecem descomplicadas!

São manhãs em que a brisa é tão fresca que dá vontade de colocar um disco do Prince para preparar o café. Eu tenho discos do Prince, mas não contem pra ninguém!

Nessas manhãs, dar comida pro cachorro e brincar um pouco com ele é quase como um ritual sagrado. Sentar sozinho para comer o sucrilhos folheando uma revista antiga tem um sabor de eternidade. O gosto amargo do café pedindo um cigarro fica no corpo inteiro.  Parece que o cigarro nem faz mal! Parece que a evacuação matinal é uma limpeza da alma! E o espreguiçar-se coloca-nos os ossos no lugar. E o banho quente, a restauração de uma energia ancestral.

Nesses dias, foda-se a internet! Foda-se tecnologia, celulares, emissoras de TV, aparelhos de DVD, informação fútil e inútil dos jornais, jornais, jornalistas, e qualquer coisa que comece com jota. Foda-se até o au-to-mó-vel! Nesses dias, que se dane toda a injustiça e os pobres e os negros e os mi-li-o-ná-ri-os com tanto dinheiro e Nada. Em dias assim a gente só se basta e quer viver absurdamente bem com nosso próprio umbigo num surto voraz de egocentrismo, egoísmo, e dá vontade de contratar um assassino para acabar com nosso id.

Dias assim são de pisar na grama, de abraçar uma árvore, de tomar sol sem se preocupar com o câncer de pele ou com o buraco da camada de ozônio.

Ah, tanta coisa para nos preocuparmos e dias assim tão raros e curtos! Dias assim duram mi-nu-tos!

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… pausa para mckee

[o texto abaixo foi publicado em meu blog antigo, reproduzo para os alunos da minha oficina de escrita]

Robert Mckee parece ter saído de “Bonanza”, aquele seriado de faroeste que teve uns episódios dirigidos por Robert Altman. É o típico americano branco e corpulento, de queixo quadrado e olhos claros. Os cabelos, hoje, são brancos – mas podemos imaginá-los bem amarelos. Não eram: durante o seminário contou que eram vermelhos como fogo. Mckee era um irlandezinho marrento que viu, muito jovem, todos os filmes que pôde do mesmo modo que o nosso José Mojica Marins, o Zé do Caixão: entrando escondido no cinema, assistindo a qualquer coisa, maravilhado, sem grandes julgamentos. Depois infiltrou-se em movimentos estudantis, viu filmes, puxou fumo, viu filmes, foi pra Hollywood, viu filmes, escreveu roteiros, viu filmes, trabalhou como analista de roteiros, viu filmes, viu filmes, viu filmes. Num daqueles instantes de fala eloquente, durante o seminário, ele disse, categórico, de maneira a não se duvidar: “Eu vi mais filmes que todos vocês juntos!”. Era uma boa sala de 250 roteiristas, selecionados e convidados da Globosat. Tinha gente ali que já viu muitos filmes, como eu. Mas era bem óbvio que Mckee tinha razão; ninguém discutiria.

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Além de ter visto filmes, Mckee tem uma qualidade que jamais vi, quando fala sobre um deles: ele não só lembra, do alto dos seus 72 anos, do nome do ator mas também do nome do personagem.  Se você está falando de “Guerra nas Estrelas” é fácil citar Luke Skywalker, mas nem todos se lembram de Mark Hamil. Por outro lado, se você está falando de um filme com Clint Eastwood que não seja os da série Dirty Harry, é provável que você diga: “… aí o personagem de Clint sacou sua arma…”. Pois Mckee diz sempre o nome do personagem e do ator, o que demonstra uma capacidade de memória extraordinária. Ele não só viu os filmes, mas os decorou. Cenas e nomes e enquadramentos e ritmos. É um sujeito bem estranho, esse Mckee. E eu pensei que fosse um cinéfilo.

Especialista supremo em roteiros e ex-ator, Mckee fez uma apresentação em quatro dias e quatro atos. Ele apareceu, no primeiro dia, como um velho resmungão dando meia hora de instruções detalhadas sobre o que se podia ou não fazer durante o seminário. Nada de celular ou torpedos, nada de dispersões; saídas para o coffee-break ou para o almoço com horário hiper-controlado… No segundo dia permitiu fotos aos que ousaram, contou algumas piadas, mostrou-se humano. No terceiro ato elevou a atuação para o nível da performance pura, contando, de maneira envolvente, trechos inteiros de filmes, alguns da maneira como são, não da maneira como aparecem na tela. Foi o caso de “Carnal Knowledge”, que ele contou começando pelo final como se fosse o começo mas, se você pensar bem, aquele final é mesmo o começo! Passeou por “Chinatown” como um patissiere ensina a fazer um patê de alho. No quarto dia, explicou “Casablanca” com um nível de sofisticação e conhecimento como nunca vi; cantou “As Times Goes By” à capela; mostrou-se humano, um velho preocupado com a finitude; citou Joseph Cambell (eu esperava por isso, aconteceu só no último momento) com o Poder do Mito, o percurso do herói. Passou de velho rabugento a herói de sua própria vida: alguém que esteve do outro lado da Floresta Negra e voltou para contar a experiência. Foi isso, esse seminário.

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Agora vou pontuar algumas coisas que disse o velho Yoda, digo, Mckee.  Terminada a oblação sobre o que era proibido, Mckee informou que tinha posições controversas sobre alguns assuntos como política, religião e relacionamentos. Considera-se de centro-esquerda, contou sobre uma triste e equivocada constatação que vem crescendo como verdade inquestionável, especialmente nos EUA, de que “os homens não entendem nada, as mulheres entendem tudo”. Disse que é comum que fale palavrões e blasfeme, durante suas falas: as pessoas não devem se sentir ofendidas. E resumiu: “Escrever é para adultos”.

Falou brevemente, então, sobre a atual situação do cinema americano. Teve um tom de crítica e apontou para uma chatice geral e acachapante. Para minha satisfação (uma delas) disse que o melhor filme do ano passado é “Indomável Sonhadora”, que concorre a Oscars mas, segundo ele, não vai levar nenhum. “Qual o sentido de fazer mais um filme sobre Lincoln? Fazer Day-Lewis brilhar?”. Ele não gosta de Spielberg, parece que é rixa antiga. Eu mesmo me pergunto: “Qual o sentido de mais uma adaptação de Os Miseráveis? Mostrar os dentes perfeitos de Anne Hathaway?”.

“Um roteiro de sucesso”, diz ele, “é o final de um trabalho árduo que reúne uma série de condições e qualidades”. Humilde, diz que não sabe como fazer: “Se soubesse escrever um roteiro de sucesso eu não estaria aqui”. “O escritor precisa ter algo a dizer e isso é, geralmente, um insight”, explica. Isso não se ensina.

Ele conhece uns truques e um padrão de filmes que se tornaram clássicos e que são, de maneira unânime, excelentes. É o que pretende ensinar. Mas o padrão americano, não o europeu ou o inglês: “Eu adoro os filmes franceses, mas puxa… são franceses! Os franceses são… pretensiosos. De coração!”.

Mckee conta que está interessado na  ficção. “Mesmo escritores que escrevem sua própria história estão fazendo ficção. E eu tenho pouca paciência para esses escritores: eles parecem sempre muito preocupados consigo”. Concordo plenamente. E continua: “Pessoas jovens querem escrever sobre si porque não conhecem mais nada nem ninguém. O problema é que não conhecem nem a si”. E complementa, de maneira exemplar: “Bons escritores escrevem suas biografias no final da vida e algumas são boas. As melhores são aquelas que são os últimos livros de seus escritores”.

Ainda sobre literatura, desenvolve o tema da sensibilidade: “O bom escritor deve ter um lado masculino e um lado feminino. E dois talentos: o literário e o talento para a história. O literário transforma a linguagem comum para outra, mais elevada. O talento para a história usa essa linguagem para transformar o que se quer transmitir em ação e ritmo. Muitos têm talento literário, mas poucos têm uma boa história. Isso é cada vez mais raro”.

“O efeito de uma história lindamente contada é que você entende tudo de maneira total, sem didatismo, sem invenções”.

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Como o escritor deve, então, começar o seu trabalho? Primeiro, deve saber onde a história está ambientada, no espaço-tempo. Ele deve conhecer o lugar (o mundo onde a história se desenvolve) como Deus conhece o mundo que criou. Ele deve saber em que tempo histórico no qual a história se passa – e a duração da história, por quanto tempo ela vai se desenvolver. É de Mckee a clássica frase: “Elimine as partes chatas”; nenhuma audiência quer saber das partes chatas, do comum: “Se você tem 120 minutos para contar uma história concentre-se no que realmente importa. E lembre-se de guardar o melhor da história para o final”.

“Toda história deve ter uma IDÉIA GOVERNANTE, que muitos preferem chamar de TEMA. É o que dirige o tom da história. Definida a IDÉIA GOVERNANTE é bom que se conheça as convenções deste tipo de história – ou para não repetir os clichês ou para desconstruí-los. Assim, a história deve ser contada sem grandes explicações, de maneira natural, de preferência sem voice over, sem didatismo, respeitando a inteligência do espectador”.

E diz que gostou do brasileiro “O Homem do Ano” mas… “que porra era aquela de voice over me dizendo tudo o que eu estava vendo?”.

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No segundo dia de seminário, Mckee chegou meio abatido, perguntando se todos tinham dormido bem. Contou seu método para dormir: alguns martinis com vodka, um comprimido de melatonina e um sonífero chamado Night Nurse. Mas naquela noite nem essa sequencia havia funcionado. Achei que ele não fosse aguentar 8 horas em cima de um palco como no dia anterior. Mas me surpreendi com a vitalidade do homem: ele falou 8 horas por dia durante 4 dias – isso não é para qualquer um.

Entramos então no conceito de três tipos de história: a idealista, a pessimista e a irônica. Na primeira, o bem vence o mal; na segunda, a história expressa a vida como ela é, e não como gostaríamos que fosse; a terceira caminha para a dúvida, para o incerto, para questões que podem ficar abertas ou, como diz ele, são “filmes do Woody Allen”. Hehehe.

Ao falar sobre os tipos de filme e classificar o filme pessimista como realista, Mckee expressou um pouco sobre a sua visão de mundo e sobre o fazer artístico. “Escrever é trabalhar na solidão, mas é preciso que haja vivência e relacionamentos, que o escritor saiba sobre o máximo de coisas que puder, especialmente se forem relacionadas à sua ideia governante. A natureza humana não é nada bonita e a escrita conserta umas coisas. A escrita explora a vida, a história vai dizer qual o significado dela. Muitas vezes uma história tem um começo brilhante mas um final decepcionante; o problema não é começar, o problema é terminar uma história de maneira brilhante. Para ser realmente boa, uma história deve causar no leitor ou conforto (prazer, satisfação…) ou desconforto (terror, insatisfação, choque…).”.

“São necessários dez anos de fracasso para se dominar uma arte. Depois mais dez anos para se produzir algo realmente bom. Você está disposto a passar vinte anos fazendo isso? Está disposto a sacrificar família e amigos?”

Entramos então na parte sobre composição de personagens e foi uma explanação muito boa e interessante, bastante fiel ao conceito de seu livro-manual “Story”. Basicamente: são raros os personagens realmente fortes no cinema, é bastante dá difícil escrever um personagem realmente bom (no sentido do personagem ser formidável enquanto caractere, não bondoso). “Na falta de bons personagens muitos diretores tentam malabarismos para esconder a história ruim, o fiapo de drama, os péssimos personagens. Alguns desses diretores de filmes de arte são só crianças mostrando que podem quebrar brinquedos. Mas não criam nada de novo quebrando aquilo. Aristóteles já disse: quem não tem uma boa história, monta um espetáculo”.

Isso serve também para a literatura, penso eu. O camarada não tem uma boa história, mas quer escrever um livro. Ele leu vários livros, leu o “Ulysses” do Joyce, leu Beckett, ora, ele pode juntar 30 mil palavras e escrever um livro. E escreve aquilo com tanto estilo e expressão, com tantas palavras bonitas, citando tantos artistas, com tanto verniz de sofisticação que as pessoas acabam achando que aquilo é mesmo literatura. No final, é só uma coisa bem fácil de se fazer.

“Escrever só se justifica se for pelo amor de contar boas histórias”.

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“Os franceses inventaram isso de ‘cinema de auteur’ – é uma grande besteira. Autor é aquele que escreve com autoridade. Se ele mesmo dirigir aquilo que escreveu e aquilo for realmente bom e tiver força, pode ser chamado de cinema de autor”.

Na volta para a segunda parte do dia, Mckee falou sobre a vida nos EUA, foi bastante divertido, contou algumas piadas. “Nos EUA todos odeiam todos. Na Europa os franceses odeiam os italianos, os espanhóis odeiam os portugueses e todos odeiam os alemães. Mas nos EUA todos odeiam todos, é algo interessante”. “Nos EUA um mendigo ganha cerca de 35 mil dólares por ano, sem impostos, que é mais ou menos o que ganha o trabalhador, abatendo seus impostos”.

Voltamos ao roteiro. “Escrever boas histórias de maneira profissional é a coisa mais difícil do mundo. Já tive neurocirurgiões em meus cursos, médicos que fazem operações dificílimas e todos dizem que escrever um bom roteiro é ainda mais difícil. É que não basta o talento e o esforço, é preciso algo mais, é preciso insight”.

Segundo ele, a revelação de Darth Vader para Luke Skywalker é o maior insight da história do cinema. Toda força da história se revela ali, você revê todo filme anterior em sua mente naquele instante, sua própria vida é transportada para o filme.

E vamos todos embora pensando se nossas histórias têm insights que ao menos se aproximem da revelação de Darth Vader ou ao menos da revelação de Faye Dunaway em “Chinatown”. Vamos embora todos meio desolados.

No terceiro dia Mckee começou dizendo que só existem duas sensações: prazer e dor. Essas sensações devem marcar os personagens e serão ressoadas no público. A dinâmica emocional dos personagens é o que leva a história adiante. “Emoções são experiências dinâmicas”.

“Veja ‘O Silêncio dos Inocentes’: a gente vê o Anthony Hopkins como Hannibal Lecter, que é um cavalheiro, e dizemos: ‘e daí que ele come pessoas? Deve ter coisas piores que isso!’, ou então: ‘se eu fosse um canibal-serial-killer eu queria ser como ele!’. Isso é empatia, identificação emocional. É um grande personagem”.

Emoções dinâmicas; personagens fortes, expostos ao longo da história e não de maneira didática: isso é o que cria tensão dramática. E, por favor, não jogue coincidências dentro da história. Coincidência é uma falha do roteiro. “Embora a vida tenha inúmeras coincidências, algumas inacreditáveis, elas não cabem em um roteiro. Uma boa história não deve ter uma coincidência sequer. É comum que uma grande coincidência aconteça para salvar o final de um filme. É o que chamamos de ‘Deus Ex-Machina’ e isso pode até satisfazer a plateia naquele momento mas destrói o filme como um todo, a posteriori.”.

Além do que é  mostrado, o texto deve ter um subtexto e os personagens devem dizer o que pensam também através de ações. Devemos saber o que ocorre dentro dos personagens, abaixo da superfície da história. Isso é difícil. “Você, enquanto está escrevendo, deve se perguntar o que a personagem quer. Para além da sua primeira resposta deve existir a resposta REAL do personagem, que está em seu subconsciente”. E é importante que os personagens não sejam planos, que tenham qualidades e defeitos. “Ame os personagens. Pensar em um ator que tenha a physique du role do personagem pode ajudar”.

Falando sobre defeitos e qualidades, Mckee se torna mais humano e vamos embora sabendo que os americanos se odeiam mas têm também suas qualidades.

No quarto dia, o professor fala um pouco sobre “escrever para a TV”.

“Não se pode fazer poesia. As cenas devem ser descritas de maneira mais direta possível. Não use metáforas, não indique movimentos de câmera. Pense em ‘sistemas de imagens’ para dar coerência ao roteiro”. Sistemas de imagens, segundo sua explicação anterior, eram imagens ou conceitos que se repetiam em cenas, dando significados para o conjunto, criando possibilidades de leituras do subtexto. Esse conceito está em “Story”.

E então, Mckee fez aquela sublime leitura de seis horas de “Casablanca”, clássico de Michael Curtiz, parando cena por cena, apontando os exemplos do que falou nos três dias anteriores. Foi de ficar de boca aberta.

Ao final, ele perguntou sobre o que era “Casablanca”. As pessoas diziam que era sobre amor, lealdade, amizade… Ele disse que, para ele, o filme falava sobre O Tempo – e isso estava bastante claro na música tema, “As Times Goes By”. E então cantou a letra toda da música, sendo aplaudido ao final.

Um aplauso ao espetáculo para o homem que explicou a todos como o espetáculo funciona.

Abaixo, as 10 regras de McKee para escrever para cinema – e que serve para escrever quase qualquer coisa:

1. Respeitarás tua audiência – Jamais subestime a inteligência de seus espectadores. Supere suas expectativas e apresente algo a mais

2. Pesquisarás –  Estude o tema a ser abordado para tornar o filme atraente para leigos e especialistas

3. Dramatizarás tua apresentação – Torne atraente, dinâmica e bem amarrada a história que pretende contar

4. Criarás camadas de significados sob teu texto – A superficialidade não é perdoada nem nos comerciais de margarina

5. Criarás personagens complexos, não histórias complicadas – Ninguém entende histórias difíceis, ninguém se identifica com personagens simplórios

6. Não usarás falso mistério nem surpresas baratas –  Truques como acordar de um sonho para resolver o problema do filme estão fora de cogitação

7. Não usarás deus ex machina para teus encerramentos – Se a solução vem de alguém que não estava na história, o espectador se sente ludibriado

8. Não facilitarás a vida de teu protagonista – Se não houver transformação, não há por que contar a história

9. Levarás tua história às profundezas e extensões da experiência humana – Apresente ao público o que ele espera – e ainda assim o surpreenda

10. Não dormirás com ninguém que tenha mais problemas que ti – Licença poética. McKee quer dizer: você é que tem de ter as tramas

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