… poema novo

para o escritor morto.

 

Não choraminguem o escritor morto,

por favor. Antes tivessem comprado seus livros

para lhe proporcionar algum conforto

durante a vida. Agora são tempos idos;

 

como diria o grande poeta, a Inês é morta,

e ele, mais do que imagina, como diria Pessoa.

Sua mão, antes produtiva, está inerte e torta,

a criatividade, dentro de seu crânio, não mais ressoa.

 

Em seu estúdio, entreaberta está a porta,

mas só há ausência lá, um espaço desocupado.

Nas estantes, porém, o escritor está físico

 

e ainda pode ser visto, apalpado e considerado.

No caixão, está amarelo e tísico,

E não há o que se chorar se ele ainda pode ser lido.

J.-Borges-e-Ariano-Suassuna

Advertisements
Standard

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s