…protagonistas escritores na argentina, por juan forn

“é uma das coisas que me parecem mais alarmistas da literatura argentina – o fato de que os protagonistas sejam escritores. Se leio uma novela, não me interessa que seja a vida de um escritor. Prefiro que seja a vida de um carpinteiro, de um drogado ou de um presidente, porque a dos escritores é muito chata. começo a desconfiar de um escritor quando fala que todos os seus personagens são escritores, salvo algumas exceções, como thomas mann, cujos personagens são intelectuais e discutem. mas, de maneira geral, quando vejo um escritor em um romance começo a ficar com fastio.”

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 [entrevista para a revista submarino em 2000]

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… fumar, por paulo francis

“O primeiro cigarro da manhã, pra mim, depois de um café forte, enche os pulmões, dopa os bichos, e a sensação é de que estou sendo narcotizado de leve e há um modesto êxtase, e, mais, a sensação de que não preciso de ninguém para meu prazer e conforto pessoal. Há muito de sexual na experiência. Os pós-refeições, almoço e jantar, depois que o organismo foi preenchido de outras substâncias que devem cortar o efeito do cigarro, são quase tão deliciosos, justamente por restabelecerem a intoxicação. O cigarro é também um companheiro da nossa solidão. Quando se está muito só, com o sentimento de estar longe de tudo, no sentido real e figurado, acender um cigarro é um miniorgasmo que nos dá nos pulmões, a fumaça que nos enche a vista, o cheiro perfumado, o gesto de levá-lo à boca e tirá-lo nos diminuem o vácuo d´alma. Escrever fumando me dá maior certeza. E finalmente o cigarro é ter alguma coisa para fazer. Mais e mais não temos o que fazer. A tecnologia eliminou em grande parte o trabalho braçal. A informática, o mental”

fumando

FSP, 1/7/89

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