… três livros que eu queria ter escrito

bom, tem aqueles livros que, putz, jamais daria para escrever; só mesmo tendo vivido algumas coisas específicas. tipo “moby dick” ou “trópico de câncer” ou “misto quente”. tem coisas que não dá pra almejar, como “ulisses” ou “grande sertão: veredas” ou “ficções”. e eu nem sei se, na minha infinita pretensão, eu realmente gostaria de ter escrito esses livros.

mas tem três livros, aos quais voltei recentemente, que eu realmente gostaria de ter escrito. e, interessante, eles têm algo em comum.

o primeiro é “belas maldições – as belas e precisas profecias de agnes nutter, bruxa”, viagem de terry pratchett e neil gaiman. apesar da genialidade desses dois malucos, o livro é até simples: conta a história de dois anjos, um “do mal” e um “do bem” (mas não tão definidos assim), que devem impedir o fim do mundo, que está nas mãos de uma criança de onze anos chamada adam e que tem um cão chamado cão e uma amiguinha briguenta chamada pimentinha. as confusões malucas nas quais eles se envolvem dão o ritmo.

belas-maldições

o segundo é “o enigma da pedra”, de jim dodge. conta a história de daniel pearse, um garoto mais interessante que holden caufield. nascido de uma jovem e louquinha mãe de 16 anos, ele cresce mantido por uma organização internacional de foras-da-lei, a AMO, que tem como líder um ex-mágico que tem a capacidade de se desmaterializar. pearse vai passar por treinamentos para decifrar o tal enigma da pedra que é, na última instância, o sentido da vida.

o terceiro é “o mundo segundo garp”, de john irving. filho de uma feminista, garp é um observador arguto do estranho mundo em que vive. o filme, de 1982, com robin williams, é bom – mas o livro é sensacional. os seis primeiros parágrafos transmitem tantas informações – e de maneira tão incrível – que podiam estar em um manual sobre como começar um romance (se existisse um manual assim). minha edição é de 1988, do círculo do livro, e tem tradução de luiz corção. o trecho em que a mãe, jenny, é fecundada pelo moribundo tenente sargento garp, está assim:

“Sentia-se mais receptiva que um solo bem arado, que uma terra bem adubada, e sentira bem quando Garp ejaculara dentro dela com tanta generosidade como se fosse uma mangueira de água num verão (como se lhe fosse possível irrigar um gramado).”

john irving

com imagens assim, irving constrói um livro leve, alegre, amargo na medida, como uma boa vida, como a plena e boa vida de garp.

em comum, os três livros tem crianças, conta a história de meninos que se transformam em homens. nunca pensei em escrever um livro todo a partir de um único personagem, criar uma história a partir de uma pessoa. ao pensar nesses livros, fiquei com uma vontade assim. quem sabe?

e você? quais os três livros que gostaria de ter escrito?

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