20 livros preferidos & influentes

Cresci em uma casa sem livros. Um primo de meu pai tinha uma oficina mecânica e gostava de desenhar e de histórias em quadrinhos, na oficina dele, nos fundos, tinha uma saleta com alguns gibis, eram gibis antigos, suplementos de jornais, com histórias em quadrinhos em preto e branco, eu não sabia o que era aquilo direito, mas foi algo marcante e eu rezava pro carro do meu pai quebrar só para ir naquele pequeno paraíso de imagens e histórias. A oficina não era muito longe de casa e, depois, um pouco mais crescidinho, com 12 ou 13 anos, eu ia até lá de bicicleta e ficava umas horas na saleta lendo aquilo: HQs do Príncipe Valente, Flash Gordon, O Fantasma, Homem Borracha, Mandrake, Nick Holmes, Recruta Zero, entre vários outros. Começava a paixão pelos quadrinhos e por ler. Às vezes o primo Fleury me emprestava alguns exemplares, e eu levava para casa. Alguns poucos estão comigo até hoje – e guardo como tesouro.

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Depois, meu pai comprava gibis pra mim, a turma da Mônica, Heróis da TV e quadrinhos nacionais de terror. Depois a revista Mad.

Eventualmente, eu ia dormir na casa de um tio e ele tinha livros. Alguns eram de ocultismo e eu gostava de folhear aquilo, embora me desse um pouco de medo. Também havia livros de bolso, da série ZZ7, com as capas do Benício da Fonseca e as aventuras sensuais da agente Brigitte Montfort. Se eu escrevesse um livro um dia, pensava, gostaria de ter uma capa como aquela – foi um sonho conquistado, Benício faria a capa do meu A Comédia Mundana, para minha grande satisfação. Creio que foi sua última capa desenhada.

Os livros de ocultismo de meu tio foram a porta de entrada para os livros de terror e mistério, que abracei na sequência, frequentando a biblioteca municipal. Li Agatha Christie, Conan Doyle e Maurice Leblanc. E depois Stephen King e os similares. Na escola, davam os livros da Coleção Vagalume – acho que li quase todos – até que chegou o momento de O Gênio do Crime, do João Carlos Marinho, pelo qual me apaixonei.

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Acho interessante como O Gênio do Crime me influenciou a escrever; vejo muito dele nos meus livros, que foram escritos mais de vinte anos depois. Em Elvis & Madona fiz uma homenagem ao Marinho, recriando a famosa cena da perseguição ao contrário do Gênio.

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Aí, então, já mais crescidinho, a escola pediu que lêssemos O Cortiço, do Aluísio Azevedo, e aquilo foi um choque pois, claro, era literatura de adulto. Eu devia ter uns quinze anos.

De Azevedo, passei para Machado de Assis e seu Dom Casmurro e, depois, para alguns clássicos que eram adaptados – eram muito comuns, não li Moby Dick ou Os Três Mosqueteiros nas versões integrais, mas as adaptações resumidas que saíam, muitas delas feitas pelo Carlos Heitor Cony. Também procurava por adaptações em quadrinhos e havia uma coleção que trazia vários títulos de Shakespeare e Dickens com desenhos elaborados. Eu estava pronto para leituras mais densas e então lembro de ter lido três livros que gostei muito e que me mostraram o poder da literatura: O Exorcista, do William Peter Blatty; O Apanhador no Campo de Centeio, do Salinger; e Crime e Castigo, do Dostoiévski.

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Um amigo de colégio gostava muito de ler e me apresentou Herman Hesse e o Lobo da Estepe e achei aquilo interessante mas não me bateu. Gostava – e ainda gosto muito mais – dos romances mais lineares e menos viajandões, menos experimentais. Minha escrita vai muito por esse caminho, acho. Mas esse amigo me apresentou algo completamente novo e incrível: Henry Miller e seu Trópico de Câncer. Uau.

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Achava que aquilo era um passo além de O Cortiço e li todos os livros de Miller com grande interesse e depois sua biografia e fiquei fascinado por ele. Lia alguns dos autores que ele citava, procurei por referências, fiquei um bom tempo com Miller. Aí, então, eu fui trabalhar no Unibanco e – incrível! – o banco contava com uma grande biblioteca em sua sede e os funcionários podiam solicitar os livros para ler e eles chegavam via malote! Li vários títulos através desse sistema e um deles, que peguei pelo título, entrou em minha lista de favoritos: Fabulário Geral do Delírio Cotidiano – Ereções, Ejaculações e Exibicionismos, de Charles Bukowski.

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O título, assim como o texto, bastante explícito, me influenciaria bastante. Li muita coisa de Bukowski e, hoje, acho Misto Quente melhor que O Apanhador no Campo de Centeio.

Por essa época, comecei a escrever e me achava poeta. Até participei, com patrocínio do Unibanco, de um concurso nacional e tirei uma menção honrosa com uma juntada de poemas – nem os tenho mais, para benefício da humanidade. Foi quando passou na TV Cultura a série O Poder do Mito, do Joseph Campbell com o Bill Moyers, e eu assisti por acaso, simplesmente mudando minha vida. Comprei o livro depois e me posicionei como ateísta, simplificando minha vida consideravelmente.

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De Campbell, fui para algumas leituras de mitos e acho que aí cheguei a Jorge Luis Borges. Acho que o primeiro foi O Aleph. Mas foi o Ficções que me pegou. Ficava relendo o livro, tentando imaginar o que ali podia ser verdade, o que não era, e de onde aquele sujeito tirava aquelas coisas todas. Li tudo o que pude de Borges, a biografia catatau do Williamson, mas aquilo tudo me enfastiou um pouco e, hoje, acho que gosto mesmo só do Ficções e um pouco menos do Aleph.

Aí eu já tinha saído do banco e ido trabalhar em uma pequena emissora de TV local, tendo contato com o jornalismo. Pensava em ser jornalista – acabei me tornando, pelo ofício, e trabalhei mais de vinte anos em televisão, mas me via sempre mais como um escritor e comunicador do que jornalista. Ainda me vejo. Mas, quando se está em um meio profissional, é meio inevitável que literatura relacionada lhe caia no colo e, então, eu estava lendo livros com reportagens, um tipo pelo qual criei grande gosto. E então teve A Sangue Frio, do Truman Capote.

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Eu queria escrever igual e um livro igual. O que consegui, misturando O Gênio do Crime, Miller e Bukowski e Capote, foi meu A Comédia Mundana, depois. Foi o que eu realmente queria ter feito. Fico feliz pelo que consegui.

O jornalismo literário me pegou e fui ler Gay Talese e toda a turma e gostei do experimentalismo louco do Wolfe do primeiro momento, a arrogância do Mailer, a classe do Joseph Mitchell, mas o que bateu forte foi a demência de Hunter Thompson. Era o momento em que a internet nascia e eu comecei a experimentar alguns textos, algumas reportagens, críticas e alguns relatos de viagem emulando Thompson. Foi interessante descobrir que mais gente estava interessada por ele. Durante muito tempo me diverti lendo Thompson e acho que ele teve influência em algumas coisas da minha escrita – há um pouco dele no meu A Viagem de James Amaro, mas não há um Grande Livro dele para constar aqui. Do jornalismo literário, hoje, prefiro a Janet Malcolm, que conheci há pouco.

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Eu escrevia meu primeiro romance, Virgínia Berlim, e estava lendo sobre mitos do amor, relendo Campbell, até que me deparei com A Dupla Chama – Amor e Erotismo, do Octavio Paz, que logo entrou na minha lista de preferidos de todos os tempos.

Acho que o livro está fora de catálogo no Brasil, o que é uma pena. Meu volume está todo anotado, todo riscado, e é um dos poucos que não empresto, absolutamente. Paz simplesmente conta a história do Amor. É um livro que me posicionou na vida também.

E aí chegamos a Philip Roth, talvez meu ideal de escrita. Existem todos esses livros maravilhosos do Roth, mas o que realmente me pegou foi Homem Comum, que inicia sua terceira fase, de livros curtos e rápidos e contundentes. Eu já tinha escrito alguns livros, estava me preparando para Elvis & Madona (acho) e Homem Comum mudou uma percepção minha sobre livros caudalosos, com muitos personagens, mostrando que a coisa toda pode se concentrar em alguns poucos personagens.

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Acho que depois de Homem Comum e da escrita de Elvis & Madona, direcionei-me para histórias menores, menos personagens e mais concisão. Foi a meta de A Viagem de James Amaro. E de meu recente Quatro Velhos.

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Um dia, em um sebo, vi um livro do Jim Dodge, de Fup, com uma capa horrível, e decidi levar. Entrava na minha vida um livro que acho incrível, não só pela história e a sua forma – é um livro de formação – mas pelo que ele tem de sobrenatural. Acho que também está fora de catálogo no Brasil, mas pode ser encontrado em sebos por bagatela. É O Enigma da Pedra.

Não sabemos porque alguns livros no batem tão fortemente, mas esse é um que me bateu. Escrevi brevemente sobre ele uma vez. Queria escrever algo parecido, um dia.

Também, às vezes, uma resenha nos chama a atenção para um livro. Li num jornal, um dia, sobre Tanto Faz, do Reinaldo Moraes. Decidi ir atrás do livro, justo em um momento em que entrava no mundo do jazz, começava a ouvir jazz com mais atenção e a ler e pesquisar sobre o estilo. Vi um livro totalmente jazzístico, a começar pelo título. Achei incrível, fiquei fascinado e fui atrás de todos os livros do Reinaldo – e foi uma satisfação, depois, estar com ele em alguns eventos literários e saber que ele conhecia minha Comédia Mundana.

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Um pouco do estilo do Reinaldo também está em A Viagem de James Amaro, minha tentativa de estruturar um livro a partir do jazz de formação clássica e tonal.

Sempre gostei também de biografias e queria citar quatro das muitas que li, que me influenciaram e me encheram de prazer. A primeira, lida há muitos anos, é a de Baudelaire, escrita por Henri Troyat, e que mostra de maneira muito clara a formação psicológica de um autor comprometido psicoticamente com o que acredita. Troyat teve acesso a correspondência de Baudelaire e é tudo muito incrível. A segunda, é a de Balzac, curta, sintética, escrita pelo Paulo Rónai, tradutor do francês no Brasil, que dá um panorama geral do momento histórico e da personalidade do autor de A Comédia Humana, inspiração colateral para minha Comédia Mundana. A terceira é A Deusa – As Vidas Secretas de Marilyn Monroe, de Anthony Summers, espécie de protótipo de investigação do que viriam a ser as biografias no Século XX. Summers fala com centenas de pessoas, investiga profundamente a história da atriz e nos entrega uma nova realidade sobre ela, diferente da história oficial, ajudando a criar um novo mito – o livro foi base para tudo o que se conjecturou sobre ela depois, sobre a morte da atriz, sobre o envolvimento dos Kennedy, etc… Recomendo muito.

O quarto, é a bio de Leonard Cohen, o cantautor e poeta canadense, escrita pela Sylvie Simmons, que nos dá uma dimensão incrível da cabeça de uma pessoa criativa e sensível. Escrevi sobre o livro aqui.

Para encerrar… Nelson Rodrigues. Por tudo, pelo conjunto da obra, não dá pra indicar uma. Fui lendo Nelson ao longo dos anos e é impressionante o que ele criou. É referência e influência pra mim.

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É isso.

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Um guru necessário: Atenção. de Alex Castro

Há uns sete anos, eu almoçava com Alex Castro num restaurante em Copacabana, quando tive uma espécie de visão antecipatória. Ok, não vamos exagerar: conhecia Alex há mais de dez anos, quase desde o início do seu blog Liberal Libertário Libertino, quando ele falava do projeto As Prisões; sabia que ele tinha a intenção de transformar aquelas ideias em um livro, estava tateando sobre como fazer, e percebia a resistência que ele de certa forma se impunha: não queria que aquelas dissertações coloquiais soassem como cagação de regra, como se ele fosse alguém, bem, iluminado, algum tipo de pensador muito certo de suas conclusões, dizendo como as pessoas deviam pensar & se comportar. Ele não queria ser um guru. Ele não estava convicto de que enfaixar aqueles textos num livro fosse resultar em algo dinâmico, duradouro e que seria lido da maneira correta; mais como linhas de pensamento para pensar junto com o leitor que linhas estabelecidas e inflexíveis sobre a vida, o universo e tudo o mais. Eu, puro e besta, forçava-o ao contrário, dizia que ele devia publicar o quanto antes, antes que alguém fizesse algo parecido, antes que surgisse algum espertalhão que ousasse ir contra os padrões estabelecidos, as verdades e pressões sociais da tradição & da História sobre o indivíduo, aquilo que ele questionava e levava o leitor a pensar nos textos dAs Prisões.

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Surgiram pessoas questionando o formato do planeta, a gravidade, negando a ditadura, dizendo que o nazismo é de esquerda, enfim, o mundo da pós-verdade se estabeleceu sem questionar as mentiras mais duradouras e evidentes que aprisionam o ser humano, a saber, o dinheiro, o trabalho, a monogamia, o sucesso, a felicidade, as bolas de ferro mentais e emocionais que o indivíduo arrasta pela vida, como diz Alex – ok, os temas foram tratados pontualmente por um autor ou outro, por um filósofo desta ou daquela linha, por coachs (maldição!), por psicólogos, mas, aí é que está, não de maneira geral e ampla, com linguagem para o cidadão comum e, importante!, partindo de um conceito original, esse, criado por Alex, o da Outroajuda.

Touché.

Voltando ao almoço daquele dia lindo e ensolarado, falei a Alex que não importava se ele queria ou não ser visto como guru da geração, isso era algo que estava ligado ao ego dele, o que se pode querer ou não… Ele devia fazer o que ele devia fazer, independente de como seria visto ou chamado. Ele não me deu bola, disse que não era hora – e voltou para o seu peixe frito.

Mas eu estava certo.

Ele então ingressou no zen-budismo e burilou seus textos dAs Prisões em uma série de encontros de Outroajuda, uma espécie de instalação artístico-literária, que acabou ajudando-o na definição de conceitos e na criação de termos únicos e exclusivos para a sua literatura e para entender o Brasil e o mundo de hoje: a outrofobia e a outroajuda. A outrofobia foi tratada em livro com mesmo título e, agora, sai “Atenção.”, o livro que trata da outroajuda. Alex conseguiu alcançar um estado tal de desprendimento de ego que já não se importa como vai ser chamado – e já há quem ache que seus livros são algum tipo de “autoajuda com outro nome, para enganar o pobrezinho do leitor”. Mas ele já não liga: os textos de “Atenção.” são carregados de autossuficiência e posição, energia e direção, conceito e fato concreto, análise e conclusão certeiras, sem que ele se importe se vão achar que está cagando regras.

Não está, mas não se pode controlar o leitor mais despreparado.

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É preciso dizer: é um livro para leitores preparados para receber esse tipo de informação, de raciocínio. É preciso querer pensar – algo raro nos nossos dias. É preciso ler com atenção, esse livro chamado “Atenção.”.

Estou feliz pelo Alex, por esse livro e por ele ser o guru certo, neste momento certo. Um guru necessário.

Alex estará em Americana (SP) dia 31 de março para a palestra Atenção como Commodity, na Semana de Tecnologia da FAM – Faculdade de Americana, 19h. Entrada gratuita, patrocínio da Vegas Card.

E no dia seguinte, 1 de maio, nós dois lançamos nossos novos livros na Flipoços. Vai rolar um bate-papo com o público sobre os primórdios da internet. Eu e Alex somos uns dos primeiros a lançar e-books no Brasil.  Vamos lá? 🙂

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desafio dos 10 discos que mais ouvi na vida

tive que pensar bastante sobre isso. não são os meus discos preferidos de todos os tempos (alguns são), mas sim aqueles discos que eu ouvi muito mesmo, sei a ordem das músicas, conheço as canções de coração (de cor), por um motivo ou outros esses discos estão incorporados à minha vida. então:

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duplo, né? minha tia rita tinha na casa dos meus avós e eu ficava ouvindo e acompanhando as letras. depois comprei o vinil e ainda ouço. devo ter ouvido umas mil vezes e amo.

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quando esse disco saiu eu tinha 17 anos e comprei na única loja de discos da cidade e tenho até hoje. esse disco e 17 anos, rapaz…

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quase não conheço nada do marillion antes ou depois desse disco, mas acho que é o disco que levaria para uma ilha deserta se pudesse levar só um.

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também comprei quando saiu e acho que meio que me introduziu no jazz, em tudo o que fui gostar depois. ouço muito, muito, até hoje.

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então, esse é o disco que está no prato neste momento, acho que é o meu preferido do jazz.

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esse é um disco pop considerado menor do RC, mas eu o amo. ele estava em uma pilha de descarte em uma emissora de rádio onde trabalhei, lá por 1990 e eu levei pra casa e está aqui ❤

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o disco do LR que mais ouvi foi o primeiro, um best of, mas acho que esse foi o segundo. esse ou transformer…

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um dos primeiros discos que comprei na vida, assim que foi lançado, e eu ficava trancado no quarto ouvindo as canções estranhas e me achando muito gótico 🙂

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primeiro disco do EC que comprei, quase que pela capa… tava passando na loja e vi essa capa extravagante e comprei. depois ouvi tudo dele.

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bom, o VC produzido pelo michael stipe é um dos meus discos preferidos de todos os tempos, comprei o cd em digipack quando ninguém fala do vic…

menção honrosa para esse que não tenho mais, ouvi demais, ainda quero comprar de novo para ouvir em vinil só:

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em breve penso nos nacionais. quer dizer, o NOUVELLE CUISINE é nacional, mas vai nessa lista mesmo.

😉

 

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Essa geração de escritores brasileiros tem personagens odiosos?

[A propósito deste texto de Tiago Germano]

A principal questão levantada no artigo de Tiago Germano, que abre e fecha seu texto, é:como é possível que, com personagens tão antipáticos, a narrativa de nossa geração não pareça tão profundamente odiosa para o leitor do futuro?”. Durante o artigo, porém, Tiago não investiga os tais “personagens” da atual “narrativa geracional”, a não ser um odioso escritor, chamado propositalmente Graciliano, personagem principal do livro de Paulo Scott, “O Ano em que Vivi de Literatura”, que é, como o próprio artigo explica, uma paródia do escritor brasileiro contemporâneo, mais ou menos da geração de Scott. Ou seja: a questão de Germano está contaminada pela metalinguagem, pela confusão que ele mesmo criou ao escolher um único personagem, odioso, que é escritor e que emula escritores de uma geração, como parâmetro, tornando todo escritor desta geração, odioso e, por consequência, todos os seus personagens.

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Desenhos de Fabio Zimbres, utilizados na capa do livro de Scott

Apesar de talvez todos os escritores desta geração serem meio odiosos (hehehe) talvez os seus personagens não sejam. É, mais uma vez, a confusão de autor/criação, amplificada pelo exemplo pinçado por Germano.

Mais adiante, em seu texto, Germano cita um dos escritores mais bem-sucedidos desta geração, Daniel Galera (Galera não concorda com essa epítome, que usei em uma facilitação que fiz com ele no SESC Campinas há pouco tempo). Galera teria dito que “O que distancia minha geração das anteriores é o narcisismo e a carência elevados a ethos predominante”. Interessante: talvez a chave esteja no “ethos” que pode ser o âmbito da internet – e mais especificamente, das redes sociais, atualmente – que foi de onde surgiu praticamente toda a geração de Galera e Scott. Acompanhamos, como leitores deste tempo, não o surgimento deste ou daquele autor mas a sua construção. E isso nos dá muita informação sobre esse autor, a ponto de quase não conseguirmos dissociar o autor da obra, confusão intrínseca no texto de Germano.

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Voltando ao caso de Galera: eu o leio há vinte anos, antes de ele se tornar romancista; lia no CardosOnline, fanzine em .txt enviado por e-mail em fins dos anos 1990. Vi o jovem e seu interesse por coisas específicas, falando de sua vida e da interação com amigos e sua cidade, dos livros, discos e filmes que consumia e, depois  vi nascer o contista a partir de seus textos no fanzine e, depois, o romancista a partir dos contos. Esse tipo de coisa quase não se tinha há vinte anos: você não tinha muitas informações a respeito do novo autor, cujo livro encontrava na estante da livraria, além do que havia na orelha (se havia) ou de alguma resenha no jornal (impresso, diga-se) – para quem tinha acesso a jornal.

Hoje, essa construção é ainda mais exposta, através das redes sociais. É difícil que um escritor dessa geração não esteja ali, no Facebook – e Galera não está, o que talvez comprove minha tese que ele, sendo o mais bem-sucedido autor de sua geração (hehehe), está um passo acima de todos os outros, sem a necessidade de exposição e segurando seu narcisismo e carência (hehehe) em detrimento de uma escrita que não se contamine com sua personalidade. Mas o que sobra a todos os outros, reles mortais, senão a exposição de si mesmo nessa grande rede para se fazer visto, lembrado, conhecido, para fazer contatos com outros escritores, editores, críticos e todo o mundo da literatura?

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Dois de centenas de grupos de escritores no Facebook. Só os 2, mais de 40 mil escritores.

Assim, prosseguindo aquela incrível lógica daquele meme que diz que “Jesus só te ama porque não convive com você”, os escritores seguem expondo diariamente suas referências, angústias, carências, medos, humanidade, no fim, construindo uma imagem antes de uma obra, que acaba contaminada, fazendo com que potenciais leitores só se interessem por ela (a obra) a partir da ideia que têm do autor – essa pessoa narcisista e carente, inserida no ethos predominante que expõe e amplia essas características. Nesse meio todo, existem os incríveis ruídos de comunicação, mas essa é outra história.

Seria preciso uma leitura das obras contemporâneas para além dos autores, sem essa contaminação, para detectar o perfil de seus personagens e verificar se são realmente odiosos. É certo que temos muitos livros cujos personagens são escritores, mas essa também é outra história.

Talvez a pergunta que Germano tenha formulado seja: “como é possível que, com escritores tão carentes e narcisistas (ou, talvez, jovens e muito expostos), a narrativa da nossa geração não pareça tão imatura (ou, talvez, umbiguista e desinteressante) para o leitor do futuro?”. Colocado assim, penso que não há saída: poucos, muito poucos, produzem algo de relevante e que vai sobreviver no futuro. E sempre foi assim, independente dos níveis de carência, narcisismo ou deslumbramento, sempre restam poucos autores realmente relevantes em cada geração e, como Germano diz em seu artigo, alguns personagens são realmente odiosos e interessantíssimos. Assim como alguns autores.

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Entre em um sebo e veja os nomes completamente desconhecidos de uma legião de autores nacionais; muitos foram lidos e reverenciados em seu tempo, por um motivo ou outro, e entraram para a lista dos esquecidos completamente; outros produziram uma ou outra obra que pode aparecer em alguma lista, mas nunca conseguiram repetir a façanha do livro um pouco acima do mediano; poucos, estão ali com obras de 50 anos atrás e que ainda são razoavelmente lembradas e muito, muito poucos, podem ser colocados na lista de autores que construíram uma obra relevante, coesa, para além de seu tempo, seu ego, seu narcisismo, sua carência, seu umbiguismo.

Não é fácil.

E não há como prever, neste instante. Somente a próxima geração vai eleger o que vai sobreviver mais um pouco. E assim sucessivamente. Muitas variáveis atuam sobre esse cenário, desde prêmios a momentâneas ondas que reverberam neste ou naquele tema, sexo, doença, espiritualidade, crime… Um ponto interessante, para ampliar o debate, é o papel das editoras na avaliação do original, que antes parecia ser mais rígido, até mais invasivo, na intenção de melhorar o resultado final. Mas essa também é outra história.

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George Steiner, que acha que existem livros demais sendo publicados – sem critério.

 

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Uma obscura influência musical de Nick Drake e Nick Cave

É possível que você nunca tenha ouvido falar em Jackson C. Frank. Autor de um único disco nos anos 1960, o cantor/compositor praticamente sumiu gerando curiosidade, indignação e lendas sobre sua figura loura, meio etérea, fantasmagórica. O sujeito era azarado, deprimido, meio doido, traumatizado e alcoólatra. Foi a maior influência de Nick Drake. No disco em que Nick Cave mostra algumas de suas influências (incluindo um Chitãozinho e Xororó rápido), “The Boatman´s Call”, chupa a capa do único disco de Frank.

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O disco de Frank foi produzido por Paul Simon, que achava que o maluco seria o novo Dylan; junto com o parceiro Garfunkel, gravou “Blues Run the Game”, a canção. Nick Drake também a gravou, em uma sessão de “Five Leaves Left”, além de outras canções de Frank. Uma busca pela canção no YouTube mostra que diversos artistas a gravaram, entre eles Sandy Denny, Laura Marling, John Mayer, Bert Jansch, Mark Lanegan entre outros – e existem vários covers. Al Stewart e Lou Reed eram fãs de Frank. E a atenção ao músico cresceu nos últimos anos por conta de uma biografia elogiada, de um documentário que está sendo produzido, e da utilização de suas canções em filmes como “Inside Llewyn Davis” (que pode ter Frank como inspiração para o personagem), “Martha Marcy May Marlene”, além de séries de TV, como “This Is Us“.

Antes de contar rapidamente sua história, vale a pena ouvir sua melhor e emblemática canção em sua própria voz:

Pois é. Nascido em Buffalo, New York, em 1943, Frank era um garoto comum. Quando tinha 11 anos, o colégio onde Frank estudava pegou fogo. Quinze de seus amigos morreram, incluindo Marlene, sua namoradinha – ele a homenageou em uma canção depois. Frank teve 50% de seu corpo queimado e passou meses no hospital, em recuperação. Ganhou um violão e começou a tocar. Ficou fã de Elvis Presley e foi visitar Graceland com a mãe, que fez uma foto dele com o ídolo. Nascia o desejo de ser músico profissional.

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o Rei e Frank

Dez anos depois do incidente na escola, atingindo a maioridade, Frank recebeu um cheque de mais de cem mil dólares (cerca de meio milhão em dinheiro de hoje) de indenização pelo incêndio – e decidiu se mandar para a Inglaterra. Usou o dinheiro para produzir seu primeiro e único disco por lá, com a ajuda de Simon. Não foi fácil gravar o disco, ele sofria de ansiedade e era muito tímido, tendo que se esconder atrás de biombos para poder cantar e nunca ficava satisfeito com o resultado final. Em um ano, todo o dinheiro tinha acabado e ele voltou para os EUA. O disco não aconteceu e ele entrou em depressão severa.

Nos EUA, casou com Elaine Sedgwick, prima de Edie, e teve dois filhos.Um deles morreu de fibrose cística, o casamento acabou, e ele ficou realmente desequilibrado, tendo que ser internado em uma instituição.

Como o melhor período de Frank havia sido na Inglaterra, ele achou que devia voltar para lá, mas nada era como antes. De volta aos EUA, sem dinheiro, virou morador de rua, tendo sido atendido em várias instituições. Um dia, sentado num banco de praça em Queens, uma bala perdida atingiu seu olho esquerdo. É mole?

Com a ajuda de parentes e amigos, viveu seus últimos dias tentando controlar a esquizofrenia, o trauma da infância, a frustração com a música, a insatisfação com os relacionamentos, a incompreensão dos pares e a depressão, a angústia, a obesidade e a cegueira. Morreu em 1999, esquecido, aos 56 anos.

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Agora, quem sabe, Jackson C. Frank esteja sendo resgatado do esquecimento.

Aqui, o trailer do documentário que está prestes a ser lançado.

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O Brasil em Nick Cave

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Nick & Viv.

No início de 1993 fui até a Santa Efigênia, em São Paulo, buscar uns equipamentos para a emissora de TV em que trabalhava. Estava com meu chefe Ginel Flores. Andando por ali, parei num camelô que vendia CDs e encontrei o “Henry´s Dream”, do Nick Cave – que eu não conhecia, só tinha ouvido falar. O camelô abriu um sorriso e disse:

– Eu tinha uma loja na Galeria do Rock e esse cara não sai de lá, ele mora aqui na Vila Mariana. Ele não fala português e o pessoal lá zoa ele, chama ele de Chitãozinho.

O apelido era por causa do cabelo do músico, parecido com o do sertanejo, repicado em cima e com mullets gigantes.

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– Nick Cave mora em Sampa?

Foi quando fiquei sabendo.

Levei o CD, que é um dos meus preferidos dele até hoje. Depois comprei tudo, li o que pude sobre ele, e fiquei atento.

Em meados de 1989 era impossível ficar incólume a Chitãozinho e Xororó. A dupla estava em todos os programas de TV, tocava incessantemente no rádio, podia ser vista em outdoors de propaganda de seus shows e, para quem vinha do exterior, parecia representar uma unanimidade nacional. Foi quando Nick Cave chegou ao país para morar com Viviane Carneiro, que tinha conhecido um ano antes, quando os Bad Seeds vieram tocar aqui. Ela estava grávida e Nick se desintoxicando de heroína – acharam que viver no Brasil seria bom para o processo. O jornalista Pedro Alexandre Sanches diz que o casal morou na Vila Madalena, mas um cara, numa fila de cinema em SP, me disse que foi vizinho de Nick em Vila Mariana, corroborando o camelô.

Era dezembro de 2000 e eu estava em SP visitando um amigo com minha filha Isabelle, então com oito anos. Fomos ver Fuga das Galinhas em um cinema de rua, não me lembro qual, tínhamos entrado em uma loja de discos antes, eu tinha comprado alguns, e na fila dos ingressos, tirei o “The Boatman´s Call” da sacolinha para dar uma olhada. Um cara, mais ou menos da minha idade, com um garoto de uns dez anos, olhou para o disco por cima dos meus ombros e disse:

– Fui vizinho dele, fomos pais mais ou menos na mesma época, vivíamos conversando sobre paternidade e tal…

Infelizmente, a fila andou rápido e não pude falar mais com o sujeito. Me lembro só de ele ter dito que Nick ficava muito em casa e gostava de entrar em igrejas para ver os cultos, às vezes Viviane ia junto, achava que era evangélica. “Meio doida, mas evangélica”.

Aparentemente, a rotina de Nick era discreta, alternando idas à Galeria do Rock, a pé, parando em botecos no caminho, onde apreciava os salgados e cervejas Antarctica – quando foi assaltado duas ou três vezes (não guarda ressentimentos); em casa escrevendo e cuidando do filho, Luke; e, eventualmente, indo a casas noturnas, como o Espaço Retrô.

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Nick usou alguns desses lugares que conheceu, assim como prostitutas, travestis e gente da noite paulistana no videoclipe de “Do You Love Me”, rodado aqui.

Ele gravou “The Good Son” no Cardan Studios, em São Paulo, em 1989, o disco foi lançado no ano seguinte. A faixa de abertura é “Foi na Cruz”, assim mesmo, em português, com trechos do clássico cristão de mesmo nome, de Luiz de Carvalho, gravado em 1958, no primeiro disco gospel brasileiro, muito tocada em cultos da Assembléia de Deus. Ouça:

“The Good Son” tem outras canções de inspiração “tradicional” ou folclórica. Há tempos Nick vinha reescrevendo coisas assim. “The Good Son”, a canção, por exemplo, é baseada num spiritual chamado “Another Man Gone Done” e “The Witness Song” tem base num gospel chamado “Who Will be a Witness”. No período que Nick passou no Brasil, ele escreveu muito material desse tipo, que seria gravado em discos seguintes. Por exemplo, “When I First Came to Town”, de “Henry´s Dream”, é decalcado da canção tradicional “Kathy Cruel”; “Stagger Lee”, “Henry Lee” e “Crown Jane”, de “Murder Ballads” são quase versões literais de canções tradicionais. Esse disco tem uma cover de Bob Dylan e algumas pessoas entendem que o disco anterior de Nick, “Let Love In”, foi quase todo inspirado em canções de Dylan – tese na qual acredito.

O fato é que Nick fez uma versão para “Fio de Cabelo”, de Chitãozinho & Xororó. Ele gostou da ideia da canção e a reescreveu, dando o nome de “Black Hair”, gravada no disco “The Boatman´s Call”.

“The Boatman´s Call” é um disco com muita homenagem, reescrita e chupação. Por exemplo, fã de Leonard Cohen e de Lou Reed”, Nick começa “There is a Kingdom” com a frase “Just like a bird” emulando Cohen em “Bird on the Wire” e com uma melodia simplesmente chupada de “Perfect Day”, de Reed. Interessante que Nick diz que esse disco o remete a Viviane Carneiro tanto quanto a PJ Harvey, com quem ele teve um namoro e de quem levou um PNB.

Muita gente acha que o disco seguinte, “No More Shall We Part”, é uma espécie de continuação de “The Boatman´s Call”, mas, na verdade, o disco marca uma guinada e aponta para uma nova fase da carreira de Nick, com letras mais elaboradas, distância das canções tradicionais, autenticidade, originalidade. “No More…” é o décimo-primeiro disco de Nick, gravado quatro anos depois do anterior.

Depois tudo ficou ainda mais interessante. images

Voltando um pouco, Nick ficou por aqui entre fins de 1989 e 1993, voltando duas ou três vezes e, depois, levando Viviane e o filho Luke para Londres. Separaram-se, Viviane é psicoterapeuta lá e Luke é casado com uma jornalista esportiva.

Em 1994, Nick deu uma entrevista para a Hypno Mag onde não falou exatamente bem do país. Deve ser por isso que demorou quase 30 anos para voltar.

Mesmo que as coisas não tenham mudado muito por aqui.

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Nick & Luke.

UPDATE: doc interessante com imagens de Nick em SP, indicado nos comentários por César 🙂

 

 

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50 anos da morte de RFK – vem um filme por aí

Em 5 de janeiro de 1968, Aristóteles Onassis telefonou para o jornalista Peter Evans oferecendo um contrato para que ele escrevesse a sua história. Ganhar uma boa grana para contar a vida do milionário mais famoso do mundo, uma história recheada de intrigas, sexo e política era tudo o que um escritor podia querer. Assim, Evans teve acesso ao universo de Onassis, acompanhando com atenção, inclusive, o casamento dele com Jacqueline Kennedy dia 20 de janeiro do mesmo ano. Mas Onassis cancelou o projeto, só retomando o contato com Evans em 1974. Era outra figura: o casamento com Jackie tinha acabado (ele chegara à conclusão que ela tinha dado um golpe), seu filho tinha morrido num estranho acidente de avião (podia ter sido uma sabotagem), sua ex-mulher tinha se matado (ou sido morta pelo marido, seu ex-cunhado), sua filha vivia em um estado de depressão, os negócios andavam mal e ele sofria de uma doença autoimune, miastenia grave, e mal conseguia falar. Ele estava também paranoico, falando em conspirações, e Evans fez algumas entrevistas complicadas com o milionário até que ele morresse meses depois.

“Ari: The Life and Times of Aristotle Socrates Onassis” saiu em 1986 e consolidou o mito do “grego dourado”. Foi vendido para a TV, virou minissérie premiada, com Raul Julia fazendo Ari, e Evans ficou rico.

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Porém, em 1988, o advogado grego Yannis Georgakis, amigo e conselheiro de Onassis durante toda a vida, disse a Evans que o livro era bom, mas que “faltava a história real”. O escritor devia se ater às circunstâncias do casamento entre Ari e Jackie e também sobre a morte de Bobby Kennedy. Não seria, porém, Georgakis quem iria contar os meandros da história, o escritor devia pesquisar. Evans podia deixar isso pra lá, já estava com a vida ganha, mas decidiu bater um papo com Christina, a filha. Eles almoçaram, ela estava infeliz, como sempre, disse que não tinha lido a biografia do pai pois tinha medo do que podia descobrir. Evans disse que gostaria que ela lesse, pois estava pensando em escrever mais sobre ele, talvez escrever até mesmo a biografia dela.

Cinco meses depois, ela ligou dizendo que tinha lido e queria discutir o livro com ele. Eles almoçaram em Paris, mas ela não parecia muito bem. Entre outras coisas, confessou que tinha acabado de refazer seu testamento – pelo oitava vez. Sua filha, Athina, estava com quatro anos, ela amava seu marido – que, ela sabia, a traia -, e disse que o pai, quando odiava, “não poupava ninguém”. Marcaram um café para o dia seguinte e, depois de fazer Evans jurar sigilo sobre o que ela ia contar, finalmente ofereceu o ponto de partida sobre o que estava faltando na biografia do pai: Onassis pagou a um terrorista palestino, Mahmoud Hamshari, uma taxa de proteção para sua empresa, a Olympic Airways, para que não ocorressem atentados terroristas em seus aviões – e, mais tarde, Onassis descobriu que parte desse dinheiro foi usado para financiar o assassinato de Robert Kennedy.

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Como a morte de Robert abriu caminho para que Onassis se casasse com Jackie – um casamento que Bobby tinha jurado que só aconteceria por cima de seu cadáver – podia ser que Onassis não “tivesse descoberto” o financiamento, mas sim tivesse deliberadamente financiado a morte de Bobby.

Estupefato, Evans disse que ia investigar e que não publicaria nada sem o consentimento de Christina. Três semanas depois, Christina foi encontrada morta em sua banheira em Buenos Aires. Aparente suicídio. Ela já tinha tentado antes. Mas como seu corpo fora retirado da banheira e colocado na cama, mudando a cena da morte, não podiam determinar com clareza. A polícia, os médicos, a imprensa, tudo virou uma confusão na suíte do Tortugas Country Club onde estava hospedada. Depois de examinarem o corpo, os médicos legistas queriam fazer uma autópsia, que foi negada, impedindo que se soubesse de fato do que ela morrera.

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Chocado, Evans começou um cauteloso levantamento de dados. Quase cinco anos depois, falou novamente com o velho Georgakis que disse que Robert Kennedy era um problema não resolvido há tempos para Onassis e que, sim, o amigo podia ter financiado o assassinato.

A conclusão da pesquisa de Evans está em “Nêmesis – Onassis, Jackie O. e o Triângulo Amoroso que derrubou os Kennedy” (Intrínseca), que está sendo adaptado para o cinema – e bem que o Scorsese podia estar à frente desse projeto.

O fato é que todos sabem quem matou JFK, mas ninguém se lembra do assassino de Bobby. O palestino Sirhan Bishara Sirhan trabalhava na cozinha do Ambassador Hotel de Los Angeles e não tinha ligações com organizações terroristas – na verdade, era considerado um jovem calmo, solícito e amável. A comitiva de Kennedy estava circulando pelo hall, Kennedy estava falando com alguns funcionários do hotel, quando Sirhan caminhou lentamente até ele, sacou um revolver calibre .22 e descarregou a arma. Bobby tinha dispensado os seguranças naquele dia pois o local era apertado e havia muitos ativistas pela paz na Califórnia – não queria parecer amendrontado ou inseguro. Depois dos disparos, Sirhan ficou calmo e parecia não saber o que estava acontecendo. Quem estava no staff de Bobby e ajudou a segurar o assassino foi o jornalista George Plimpton. Outras cinco pessoas foram atingidas pelos disparos. A cantora e tia de George Clooney, Rosemary Clooney, também estava lá com Bobby e quase foi atingida.

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Sirhan é preso.

Aos policiais, Sirhan disse que não sabia o que tinha feito. Não se lembrava. Continua com essa versão até hoje: ele está preso em Corcoran, na Califórnia, onde estava Charles Manson. Cumpre perpétua, depois que foi cancelada sua execução. Um dos motivos do cancelamento foi a convicção plena de Sirhan de que não tinha cometido o crime que todos viram ele cometer. Recentemente, foi negado seu 15º pedido de liberdade e a história se complica neste caso de 50 anos com um segundo atirador colocado na cena do crime. Mas isso é outra história.

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Sirhan hoje, alegando não se lembrar do crime.

Onassis odiava RFK desde muito antes da intenção de casamento com Jackie. Quando era procurador-geral, RFK praticamente banira Onassis dos EUA. RFK também tinha tretado com outros amigos de Ari, perseguia Jimmy Hoffa, presidente do sindicato dos caminhoneiros que também mandava no sindicato dos estivadores, com quem Onassis tinha negócios que ajudavam na movimentação de cargas de seus navios. Mas foi um caso prosaico que fez com que Ari mirasse toda sua raiva no irmão do presidente.

Spyros Skouras foi o grego que inventou Hollywood, um nome esquecido hoje. Em 1935 ele arquitetou a fusão da Fox com a Twentieth Century para criar uma das empresas mais famosas do mundo. Em 1962, com 73 anos, Skouras estava com dois filmes problemáticos em andamento.

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“Cleópatra” entrava em seu 33º mês de produção e já tinha consumido 30 milhões de dólares – cerca de 435 milhões em dinheiro de hoje. Skouras e o estúdio estavam à beira de um colapso, quando o grego recebe um telefonema do procurador-geral RFK pedindo para que Skouras fizesse preparativos no set de “Cleópatra”, em Roma, para receber a visita de seis amigos dele. E ainda exigia que os amigos fossem entretidos no almoço por Elizabeth Taylor. Skouras mandou RFK se foder e o irmão do presidente jurou que o grego ia desejar nunca ter vindo para os EUA.

O outro filme com problemas era “Something´s Got to Give”, estrelado por Marilyn Monroe que não aparecia nas filmagens e estava tendo um caso com os dois Kennedys.

Possivelmente, Skouras estava enciumado também, não era apenas a questão do filme: o grego não apenas tinha sido amante de Marilyn, mas também a tinha descoberto e sugerido a mudança de nome de Norma Jean para Marilyn Monroe. Ambos mantinham uma relação meio incestuosa; ela o tratava por Papa e ela a tratava por “filha maravilhosa”.

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Filhinha e papai

Não bastasse isso, Marylin foi convidada para cantar na festa de aniversário de 45 anos do presidente, mas dependia da liberação do estúdio. Skouras não permitiu – tinha um filme a ser feito e ele não gostava dos Kennedy. Mesmo sem a liberação, um helicóptero pousou na Fox na tarde de quinta-feira, 17 de maio, com o ator Peter Lawford, marido da irmã dos Kennedy, e praticamente sequestrou Marilyn para o evento de aniversário – deixando Skouras completamente puto.

Skouras era muito amigo de Onassis. E o amigo era solidário ao seu sentimento de vingança.

Surge então uma jovem maluquinha na história. Lee Radziwill tinha acabado de se casar com um príncipe, Stanislas Radziwill, da Ucrânia – ou algo assim. Era seu segundo casamento e conheceu Onassis de quem, rapidamente se tornou amante. Onassis também era amante de Maria Callas na ocasião. Lee também era amante de John Kennedy. E, ah, era irmã de Jacqueline Kennedy. Sim: John comia a cunhada – e fazia tempo.

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Jackie & Lee

Jackie vivia sua quarta gravidez, tida como arriscada, ela já perdera um bebê, e estava magoada com o marido, com Marilyn cantando no aniversário dele e não aguentou quando JFK foi convidado para uma viagem à Europa e chamou a cunhada para acompanha-lo. O convite foi um pouco para tirar Lee das garras de Onassis, mas também porque JFK queria levar uma marmita. Foi quando Bobby ligou para o grego exigindo que ele parasse de se encontrar com Lee. Onassis respondeu: “Bobby, você e Jack trepam com sua rainha do cinema, eu vou trepar com a minha princesa”.

Pouco tempo depois, Marilyn estava morta. Hoje já se sabe que Bobby e Lawford estiveram com a atriz na casa dela na tarde de 4 de agosto, saíram possivelmente antes das 18h, e ela foi “encontrada morta” muito mais tarde, mas essa é outra história.

Acontece que logo depois nasce Patrick, o filho de Jackie e John, mas ele só vive por um dia e meio. Ele é enterrado, a nação se comove. Vivendo seu luto triste – não apenas pelo filho morto, mas pelo fim iminente do casamento – Jackie recebe um convite para passar uns dias no iate de Onassis. Foi a irmã quem convidou, ela aceitou.

JFK e o irmão ficaram possessos, o que fez Jackie ficar ainda mais convicta da viagem. Como escreve Peter Evans, “era hora de dar o troco”.

Bobby ligou novamente para Onassis. Dessa vez mais calmo, disse que ele e o irmão não iam colocar objeções no caso dele com Lee, mas que desistisse do cruzeiro com a primeira-dama. Quando contava essa história, Onassis sempre lembrava que, no momento do telefonema de Bobby, ele estava recebendo um boquete de Manuela, sua prostituta preferida. Onassis rechaçou o pedido de Bobby: “Garoto, você não me assusta, já fui ameaçado por especialistas”. No que Bobby explodiu: “O que ocorreu no passado, seu grego filho da puta, não é nada comparado com o que está por vir”.

Jackie foi para o cruzeiro e fez amor com Onassis na terceira noite.

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Onassis ajuda Jackie durante o luto do filho.

Na volta aos EUA, ela tinha que excursionar com o marido para a campanha de reeleição presidencial, eles dormiam em quartos separados. Era tudo uma encenação. Três meses e meio depois do enterro de Patrick, JFK era assassinado em Dallas.

Durante os preparativos para o funeral, seis pessoas foram convidadas para se hospedar na Casa Branca. Uma delas era… Aristóteles Onassis, a convite de Jackie e Lee. Segundo Evans, a presença de Onassis seria uma maneira de Jackie dizer aos Kennedy que ela já não esperava ser tratada “apenas como uma coisa”. O encontro de Bobby e Ari na Casa Branca, às vésperas do enterro de JFK, daria, só ele, um filme fantástico. Estavam todos devastados pelo assassinato e meio loucos de pílulas, álcool e cansaço. Mas é claro que Bobby estava com vergonha, raiva e frustrado por ter que falar com o rival, o homem que tinha chifrado seu irmão.

Enquanto a nação chorava e Jackie encenava um luto necessário, Onassis voltou para seus negócios e se preparava para casar com Jackie. Ele ainda amava Callas, mas queria se casar com Jackie – era bom para sua imagem, para os negócios, e ela o excitava. O que ninguém esperava era que Jackie iniciasse um caso com… Bobby Kennedy!

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Cunhados e amantes.

É claro que Onassis sabia – ele sabia de tudo. Também instalou um detector de mentiras em seu telefone e acreditava no objeto. Assim, confirmou que Jackie estava se divertindo com várias companhias em Nova Iorque, estava “tirando o atraso”. Já não era santa quando estava casada, teve ao menos um caso notório, com William Holden, mas nos últimos dois ou três anos, alternando com Onassis, tivera ao menos meia dúzia de homens fixos.

Os negócios não iam bem e Onassis decidiu apressar o casamento. Jackie estava chegando aos 40 anos e o casamento ia fazer com que perdesse a pensão de JFK, então o contrato com o grego tinha que ser bom. Bobby não aceitava de maneira alguma. Até que apareceu Hamshari e sua proposta de proteção da companhia aérea de ataques palestinos e a lembrança de uma conversa que Onassis tivera com um amigo sobre um médico que utilizava hipnose e um filme polêmico feito pouco antes do assassinato de JFK…

O médico era William Joseph Bryan Jr. Ele havia sido consultor sobre hipnose no filme “Sob o Domínio do Mal” (The Manchurian Candidate, Frankenheimer, 1962). O filme mostra como um soldado americano capturado na Coréia é programado mentalmente para assassinar o presidente dos EUA. É certo que Hamshari esteve com o dr. Bryan. E há evidências que Sirhan também viu o dr. Bryan. E hoje sabe-se que o dr. Bryan trabalhara no projeto MKULTRA, da CIA, que estudava o controle mental.

Em 1968, pouco antes da morte de RFK e do casamento com Jackie, Onassis visitou o dr. Bryan em Las Vegas para uma sessão onde procurava curar sua insônia.

Agora, é esperar o filme que estão fazendo sobre tudo isso.

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Tô pasmo!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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